Juliana

São 3 horas de uma noite de verão

De joelhos no tapete segue firme Juliana

Rezando, invocando, clamando em oração:

Me livre dos deuses do chão!

Me livre dos deuses do chão!

 

Não é fácil de entender

Eles tem sede de prazer

Querem teu sangue beber

Querem te ver sofrer. Ó Juliana!

 

Pobre humana, pobre humanidade

São cobaias de mestres insaciáveis

Cavaleiros da alta sociedade

Humanos, desumanos, intocáveis

 

Há sinais nos céus e nos jornais

Há sonhos e pesadelos fatais

Que são reais e mais reais

Que simples notícias banais

 

Os deuses tem sede. Ó Juliana!

O espírito santo usa manto negro

E vai tirar o teu sossego

E vai te deixar insana.

 

Pra entender este mundo, é preciso ser louco

Não um pouco, não apenas um pouco

Mas completamente louco

 

Está tudo ao contrário, ao revés

Nada que te contaram é como é

Criaram um labirinto pra você

 

E fizeram você acreditar. Ó Juliana!

Que você é ser humana, livre e racional

Criaram todo um dama, até passou no jornal

Que você é ista, que você é isto:

Terrorista, comunista, anarquista, nazista, racista, classista, sexista.

Você está à vista, mas já foi vendida a prazo antes mesmo de nascer

Suas coisas não são suas, nem você é de você

 

Sua raiva é alimento parra os deuses do chão

Seu medo é o tempero da ração

Sua dor é néctar e apreciação

Sua morte é grande refeição

 

Não tenha medo, não tenha medo. Ó Juliana!

Descubra o caminho pra sair do labirinto.

Ele termina no fim do sofrimento.

Ele acaba quando você enxergar a luz de cima

E a luz que vem do sul

O labirinto é uma esfera plana e azul

 

Te prenderam aqui na Terra, Ó Juliana

Os deuses do chão amam você

E vão fazer de tudo pra você não saber

Que tudo é uma história pra te entreter

 

Você é Deusa. Ó Juliana!

És muito mais que o labirinto

És mais divina que os deuses do chão

Porque você tem luz!

 

A luz não alimenta as trevas

Por isso se escondem os deuses do chão

Matai a todos sem perdão

Fazei da luz a tua oração!

 

Que a fé te guie na senda escura

Que nenhum inimigo possa combater

A força divina que te cura

E que te faz vencer

 

Deixai os vermes para os deuses do chão

Deixai aqueles que querem morrer

Tu és eterna em vida e coração

Nada pode te abater!

 

Lucas Ramalho

Buenos Aires

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