O Medo de Viajar

Guia do Viajante: Medo

Para aprender a viajar, é preciso… viajar. Parece óbvio, mas muita gente tem medo de fazer isso, se privando de umas melhores coisas da vida.
Este medo de viajar é apenas um sintoma de uma causa maior: o medo do desconhecido. Temos a tendência de nos acomodar em nosso próprio mundo de segurança. Tudo aquilo que afeta nosso conforto é neutralizado. Dessa forma continuamos a viver, mas de forma aparente, dopados. Como se tomássemos todos os dias altas doses de antidepressivos. E sem dúvida muita gente assim faz. Mas nem sempre o remédio é o remédio, ou seja, muitas vezes assistimos televisão para nos esconder da vida, do que tem lá fora. Passamos horas vendo os mesmos vídeos no Youtube, todos os dias. Vivemos com a cabeça baixa esperando o próximo tópico do Facebook ou o próximo comentário inútil. A vida passa.
O mundo está logo ali esperando por aqueles que tem coragem de conhecê-lo. Mas o medo se enraíza em nossa mente logo na infância: não fale com estranhos, não se desvie do caminho (lembra da chapeuzinho vermelho?), não ande de bicicleta na rua etc. Pouco a pouco vamos desenvolvendo uma rotina que vai nos prendendo, nos podando, nos enclausurando. E a partir daí não conseguimos mais pensar por conta própria, perceber o tédio da rotina. Viramos robôs que não conseguem pensar diferente ou mesmo enxergar o diferente. E justamente aí que entra a questão de viajar. Sentimos essa necessidade de viver o diferente. Mas, embora a maior parte das pessoas viaje apenas para encher a cara e esquecer do mundo, o viajante, ao contrário, quer conhecer o mundo.
E por não ter medo do desconhecido, ele se aventura aonde poucos vão, anda como poucos andam. Ele se torna independente por isso. Não porque ele recebe informações como um oráculo sem precisar consultar nada ou ninguém, mas ele se arrisca, ele se joga sem medo. Esta é a diferença, o que ele faz com as situações que a vida lhe apresenta. Ao enfrentar este medo, ele se torna rico em experiência de vida que é o que importa afinal. Até onde eu sei, não há conta bancária no além. E para isso não há idade. Obviamente é bem melhor viajar quando se é jovem e saudável, mas velhos também andam e alguns deles exploram bastante esse nosso mundo.
O salto no desconhecido vem de dentro. Todos nós temos esse medo, mas o que importa é o que fazemos com ele. Nos atrevemos ou batemos em retirada? Dormimos no ponto ou evoluímos? Tempus fugit. O viajante tem consciência disso.

Saia da Matrix!

Lucas Ramalho

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