Aventuras e Loucuras do Quênia

O Mundo em Fotopoesia: Quênia

Pisar em solo africano é uma vivência, é experienciar um mundo bem diverso daquele em que vivemos. Poucas pessoas tem noção do quão dura é a vida por lá. Água potável, somente engarrafada no mercado e para poucos, já que a maioria dos habitantes não tem condições de comprá-la. A maioria das ruas é de terra na capital do Quênia, Nairobi. O safári começa do aeroporto até o centro. É possível até ver girafas no caminho, não é piada. Quem trabalha por lá considera todo turista rico e milionário. Mesmo um funcionário bem sucedido não ganha mais que 200 reais por mês. Imagine as pessoas mais pobres. Eu visitei uma instituição de órfãos na Tanzânia e eles serviam para as crianças água com açúcar, mas com muito açúcar, era a única opção para elas. Eu tentei beber, mas não consegui de tão doce. Carne? uma vez por semana quando recebiam doação. Uma das contradições é que se você quiser trabalhar como voluntário no país, é preciso pagar uma taxa inicial de mais de 1000 dólares, entendeu? Nem eu. Energia elétrica? Às vezes. Condições higiênicas? Nenhuma. Segurança alimentar? Tende a zero. Transporte? Na capital, vans (matatus) e ônibus estilizados empacotados de gente tentam suprir a demanda. As estradas pelo país? Risco de vida iminente. Qualquer um pode dirigir e não há qualquer orientação. Em uma das incursões pelo país, a cada cinco mintos eu via um carro acidentado pelo acostamento. Tinha até caminhões atravessados. Transporte aéreo? Péssimo. E a violência? Um pouco menor do que aqui no Brasil. Apesar disso, nas poucas lojas, restaurantes e supermercados de lá, seguranças com metralhadoras protegem o lugar. Diante da miséria em que eles vivem, essa questão é até compreensível. Eu ainda acho o Brasil o campeão de todos no quesito violência e isso corrobora minha visão de que a violência é cultural e não social, mas isso é outra história. Dá pra reclamar de morar em São Paulo, Rio ou outras cidades brasileiras? Comparando com eles, estamos chorando de barriga cheia.
Eu voei do Cairo para Nairobi na véspera do natal de 2012, mas sem bagagem. A horrível companhia aérea Etiopian Airlines deixou minha bagagem na Etiópia, onde o avião fez a escala. Engraçado que aconteceu o mesmo com no mínimo mais vinte passageiros. Disseram que chegaria no Natal, presente da companhia, e chegou. Passei o natal na casa de Hellene e David, uma família queniana. Com dois quartos e uma sala, eles viviam com seus filhos e pais. Eu dormi na sala envolto em uma nuvem de mosquitos. Mas eles me tranquilizaram de que por lá não havia Malária. Eu me recusei a tomar os duvidosos medicamentos que supostamente preveniriam a doença, os efeitos colaterais eram piores do que a própria Malária e eles não eram 100% efetivos, longe disso. Mas tem gente que adora tomar um remédio. David me levou para conhecer um pouco do centro. A comida lá é super barata, mas é sempre um tiro no escuro. Ele insistiu para que eu provasse uma carne que estava na grelha de um bar, mas eu decidi não arriscar, lembranças da carne de pombo que eu comi no Marrocos me vieram à cabeça. Eles me receberam de coração aberto e foi muito especial passar o natal na casa deles. Lá também conheci o divertido Chef francês Thierri da idade do meu pai que fazia um tuor pelo país. Começamos a viajar juntos.
Fomos fazer o famoso Safári Maasai Mara. 3 dias para conhecer toda a reserva e os big five: leão, elefante, leopardo, búfalo africano e rinoceronte. Desses apenas o leopardo eu não avistei, já que ele costuma se esconder na copa das árvores. Em compensação, testemunhei uma tentativa de caça de uma mãe gueparda contra uma gazela que foi incrível. Ela passou rente à minha janela e eu pudia até tocá-la. Me sentia em um documentário do National Geographic. O povo Maasai é uma tribo que históricamente vive na região. Eles constumam andar com cangas vermelhas ao redor do corpo, de sandalhas, braceletes e jóias e com várias pinturas brancas no rosto. Tem um vídeo na net de uma outra tribo que vive no Quênia, Dorobo, em que três homens roubam a carne que 15 leões conseguiram, dá uma olhada aqui pra começar a entender um pouco mais. Fodidos, não? A palavra canga vem do Suaíli, idioma original daquela região, que é incrivelmente fácil de se aprender. A famosa expressão Hakuna Matata também vem de lá e significa não se preocupe ou sem problemas.
A visita pelo safári inclui também um passeio de 300 metros ao longo de um rio acompanhado de um segurança armado. É o único momento em que se pode caminhar pela reserva. É possível avistar crocodilos na outra margem e hipopótamos se banhando no rio. À noite, dormimos fora da reserva em um hotel com diversas cabanas. De manhã, um café da manhã e uma nova visita. Gazelas, girafas, chacais, avestruzes, abutres estão entre os outros animais avistados por lá. A reserva ainda conta com uma pista de pouso de terra e quem tem mais grana geralmente vai direto da capital para a reserva nos aviões de até dez lugares evitando assim os perigos da estrada.
Ainda com Thierri, fomos passar o ano novo em Mombassa, litoral do Quênia, que foi em parte colonizada por Portugal (eles adoram uma praia), mas também conta com uma forte presença indiana. O centro da cidade inclui diversas casas antigas e um forte. Ficamos em um camping na beira da praia. A celebração da passagem do ano foi por incrível que pareça em um shopping center, um dos únicos da cidade. Jantamos em um restaurante anexado e  já perto da meia-noite três damas aparentemente embriagadas ficaram apenas de calcinha no meio do restaurante fazendo uma espécie de rebolation. O gerente era brasileiro e ficou furioso com a cena bizarra huahuahua. Tem coisas que só são vistas quando se viaja. A praia tem uma água bem agradável e é incrivelmente limpa. A cidade tem um vento constante e a prática de kite surf é bem comum por lá. Logicamente os praticantes são em sua maioria europeus de passagem pelo país. Não foi dessa vez que me aventurei nesse esporte. Minha iniciação foi no Vietnã, mas isso é outra história. Terminada minha expedição pelo Quênia, eu fui com Thierri para a Tanzânia onde uma pequena colina de quase 6 mil metros chamada Kilimanjaro me aguardava. Conto na próxima.

Lucas Ramalho

Natal com a família da Hellene e David
Natal com a família da Hellene e David
Streets in Nairobi
Streets in Nairobi
Café da Manhã
Café da Manhã. Breakfast.

 

 

stylized Matatus
stylized Matatus
Matatus
Matatus
Shopping Center
Shopping Center
Nairobi
Nairobi
That's it!
That’s it!
A equipe The Team
A equipe
The Team
O Grande Rei Lion King
O Grande Rei
Lion King
O rei da selva Lion King
O rei da selva
Lion King
Guepardo Cheetah
Guepardo
Cheetah
Cheetah
Cheetah
Manada à vista Herd on sight!
Manada à vista
Herd on sight!
Lion Family
Lion Family
Baby Lion
Baby Lion
Girafa!!!
Girafa!!!
Thierri!
Thierri!
Union is the key!
Union is the key!
Thierri!!
Thierri!!
Mombasa
Mombasa
Hindu in Mombasa
Hindu in Mombasa
Muslim Lady
Muslim Lady
Entendeu? Nem eu!
Entendeu? Nem eu!
That's it!
That’s it!
When the bridge falls, what to do? African Way!
When the bridge falls, what to do? African Way!
Sem bagageiro é foda.
Sem bagageiro é foda.
Vai um ovo com sal? A salted egg?
Vai um ovo com sal?
A salted egg, mister?
Super bike
Super bike
Casamento no ano novo Wedding on New Year's eve.
Casamento no ano novo
Wedding on New Year’s eve.
Mombasa
Mombasa beach

Sem Mistério

Há algo além do que é ordinário
Que não se vê com os olhos da visão
Não se ouve com a própria audição
É algo alem do que é diário
 
Algo além do tempo e do espaço
Longe do barulho e do cansaço
Não há como segurar ou prender
Não pode parar ou se mover
 
É a peca que faltava no quebra-cabeça
Do porque vivemos do jeito que vivemos
Com as cartas viradas sobre a mesa
Sem saber se ganhamos ou perdemos
 
É a forma que este mundo se organiza
O que importa está além do que sabemos
O que queremos não é o que se precisa
E por isso que sofremos e sofremos
 
Jogamos sem saber todos os dias
O jogo do aprender e aprontar
Tramando nossas alegrias
Para que então possamos adivinhar
 
Não precisa entender apenas de um passo
Em direção a si mesmo sem medo
Não há mistério, é apenas você
Revelado sem segredo

 Lucas Ramalho

Nairobi

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