O Mundo em Fotopoesia

O projeto “O Mundo em Fotopoesia” é uma extensão da minha viagem de volta ao mundo. Um ano e meio no exterior me rendeu muitas fotos de lugares desconhecidos, situações inusitadas e experiências diversas. Juntamente com as fotos, cada lugar me inspirou a escrever poesias que me serviram para registrar momentos que de outra forma seriam esquecidos. 
Unir poesia e fotografia dentro do projeto é uma forma de eternizar cada precioso momento da minha viagem. Para que outros viajantes possam também desfrutar de um pouco daquilo que eu vivenciei e conhecer melhor os lugares por que passsei. Para que aqueles que não se atrevem a pisar fora do seu próprio mundo possam também ter acesso a essa experiência maravilhosa que é se aventurar e quem sabe através disso possam também ser inundados com essa vontade de descobrimento e essa sensação de paz que inunda o corpo de quem viaja. 
Anima-te viajante que uma longa viagem começa com um único passo e existe um mundo inteiro maravilhoso lá fora só esperando para ser descoberto. Não tenha medo dos perigos da jornada que o maior perigo é não viver.
Resumo
Sem título
Comecei em maio de 2012 num vôo de São Paulo à Recife. No dia 26, voei da capital pernambucana à Frankfurt iniciando minha volta ao mundo. Arrumei um anfitrião na Alemanha através da internet e passei então a usá-la para descobrir amigos e hospedagens em todos os países. Em junho de 2012 percorri a pé o caminho de 800 quilômetros até Santiago de Compostela durante 25 dias, realizando um desejo que estava no meu coração. Entrando em contato com pessoas maravilhosas, descobri que a solidariedade era uma qualidade do caminho e marca dos peregrinos. Dormi e comi gratuitamente em diversas partes do trajeto.
Visitei Marrocos em seu momento mais crítico: durante o Ramadã em agosto de 2012, no qual todos os muçulmanos faziam o jejum prescrito de um mês entre o nascer e o por do sol. O ritual é uma prova de fé na qual todos ficam sem comer e beber durante o dia, mesmo sob um sol de quase cinqüenta graus. Quando caía a noite, as cidades todas do país paravam para realizar o desjejum ou café da noite. Mesmo motoristas de ônibus e vendedores faziam uma pausa para comer o sagrado alimento.
Em novembro de 2012, presenciei a guerra entre Israel e Palestina, precisando me esconder várias vezes dos supostos mísseis dirigidos ao território israelense. Visitei ambos os lados do conflito e constatei a brutal diferença de tecnologia e desenvolvimente entre ambos, o que torna ainda mais injusta a agressão com a qual a Palestina vem sofrendo ao longo das décadas.
No fim de 2012, fui ao Egito, às pirâmides de Gizé, ao templo de Abu Simbel e à região do Sinai, incluindo uma subida ao monte Horeb (Sinai). Lá, segundo a tradição religiosa, Moisés teria recebido as tábuas da lei. No início de 2013, uma passagem pela África garantiu uma experiência mais profunda com o continente. Marcas de pobreza, de fome, mas também de solidariedade foram deixadas pela população local do Quênia, da Tanzânia e de Uganda. A partir de então, comecei a olhar o mundo de outra forma. Não só a valorizar o país em que eu nasci, mas também a perceber que muitos lugares do mundo precisam de nossa intervenção, sendo muito mais necessitados do que o Brasil. O ápice desta parte da viagem foi justamente a espetacular subida ao topo do Kilimanjaro. Vulcão extinto com quase 6 (seis) mil metros de altitude, é considerado o teto da África.
De volta ao hemisfério norte, finalmente cheguei a tão sonhada Índia. Lá, iniciei minha jornada rumo ao sul. Goa, com sua energia frenética e com a presença da tradição portuguesa, foi muito bem explorada e festejada. Em Pushkar, participei do Holi Festival, que celebra o início da primavera com muitas cores, sabores e peculiaridades. Segui então para a clássica ida ao Taj Mahal. Varanasi mereceu também uma curta visita. Na parte final desta viagem de três meses pelo país, visitei cidades sagradas como Rishikesh, conhecida como a capital internacional do Yoga e Dharamsala, local onde está assentado o Dalai Lama. Terminei a visita à Índia, em Ladakh, extremo norte do país, subindo os altos picos da região.
Maio reservou uma espetacular visita aos Himalaias e ao Everest, no Nepal. Entrei em contato com a cultura tibetana local e com os Sherpas que crescem e vivem nas montanhas. A visita ao monastério do Chefe Tibetano Rimponche foi o ápice espiritual no país. Já o ápice físico foi a chegada ao acampamento base do Everest, a mais de 5300 m de altitude. Com uma mochila pesada nas costas e apenas com um mapa, explorei de forma independente as regiões mais altas e sagradas do planeta.
Junho de 2013 guardou uma visita à Tailândia e a seus riquíssimos e ornamentados templos. A tranqüila vila de Pai ao norte e a província de Krabi foram os pontos altos. Aproveitei o tempo para realizar um curso de escalada em um dos lugares mais espetaculares do mundo, Hat Rai Le. Julho reservou um momento de profunda meditação. Um Vipasana independente realizada na incrível ilha de Koh Rong no Camboja. Dez dias em uma cabana sem falar e sem contato com o mundo exterior garantiram a devida assimilação de tudo que representava aquela viagem pelo mundo.
Vietnã e Indonésia deram o fechamento da viagem: vulcões ativos de mais de três mil metros de altitude na Indonésia e mergulhos nas fortes correntes dos mares do país foram grandes desafios pelos quais passei. Por fim, cheguei bem perto do dragão de Komodo, na ilha das flores. Foi de lá que em setembro de 2013, voltei pra Sampa, ponto inicial de tudo. No aeroporto, após 48h de voos, reecontrei minha mãe, irmãos e avó. Em um ano e quatro meses, o mundo ficou pequeno e a vivência grande. Com muita poesia e jogo de cintura foi possível dar uma volta a um mundo que parecia tão distante. Chegar à São Paulo depois de toda essa aventura foi uma dádiva. Compartilhar toda essa experiência é a missão a qual me dedico atualmente. Muitos me perguntam por quantos países passei. Apesar de não achar números tão importantes, coloco abaixo a relação de todos eles para esclarecimento. Até agora estive em 45 países ao redor do mundo. O que incrivelmente equivale a 21% dele. Ou seja: ainda há muito que se conhecer. Viajar é para sempre.
Lucas Ramalho
Conheça aqui cada canto desse Universo!
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