Tailândia So High

O Mundo em Fotopoesia: Tailândia
Após uma sequência de trekkings pela Índia e pelo Nepal, era hora de relaxar um pouco. De Kathmandu eu voei para Bangkok, com escala em Delhi. Em minhas primeiras horas na Tailândia, eu já pude sentir uma enorme diferença. Tudo mais limpo, organizado e mais fácil. Os Rickshaws (triciclos ou quadriciclos motorizados usados como táxi) eram coloridos, alguns eram rosas e tinham sistema de som bem potente. O preço também aumentou na mesma proporção. Mas comparado com a Europa ou com o Brasil, nada de assustar. Conheci a famosa Khao San Road onde é possível provar o espetinho de escorpião e desfrutar de dezenas de opções de clubes e bares. O espetinho é bem gostoso e vale a pena. Na capital também é preciso tomar cuidado com pequenos golpes. Há muitos turistas circulando e também muitos oportunistas. No segundo dia, eu estava com uma californiana, Amy, e nós queríamos comprar uma passagem para o norte, então subimos num táxi que nos cobrou apenas 1 dólar para nos levar até o guichê da empresa de ônibus. Ele pilotou por apenas 1 minuto e obviamente nos deixou na porta de uma agência de viagens, nós só percebemos isso quando entramos dentro do local, ele já tinha se mandado. Pelo menos o prejuízo não foi tão grande. Também fomos ao infame ping pong show onde mulheres nuas fazem truques abrindo garrafas, tirando de dentro de si vários objetos e animais vivos e também arremesando bolas de ping pong tentando acertá-las dentro de um copo, tudo isso com a vagina. Casais, idosos, famílias e viajantes estavam sentados ao redor do palco assistindo a tudo isso. Não recomendo: as mulheres lá pareciam escravas e não estavam muito contentes com o show que elas mesmas faziam. Na Khao San diversos agentes passam fazendo um som de ping-pong com a boca e com menus descrevendo tudo que você verá no show, eu sugiro que você simplesmente se recuse a contribuir para este tipo de exploração.
Apesar da animação do lugar, Bangkok não é muito a minha praia e eu então fui pra uma cidadezinha lá no norte da Tailândia chamada Pai. Ela é famosa pelas 762 curvas da estrada que vai de Chiang Mai até ela. Na van eles dão saquinhos de plástico para todos em caso de alguém vomitar. A cidade em si tem apenas alguns quarteirões e ao redor existem diversos locais onde se pode conseguir chalés bem baratos. Lá conheci o Danilo do Brasil e nós então dividimos um. É possível alugar scooters e outras motos por preços módicos e sair então para explorar as cachoeiras e montanhas ao redor. Foi o que fizemos. Visitamos um mirante por uma estrada de terra bem árdua. Chegamos ao topo juntamente com a chuva e a volta foi bem dramática. As motos patinaram bastante, mas deram conta do recado. Muitos estrangeiros alugam motos no país e acidentes são mais frequentes do que diarreía por lá. Lembro que uma das minhas diversões favoritas era acordar de manhã e ver os enfaixados passando pra lá e pra cá, em uma delas cheguei a contar cinco no espaço de meia hora. A cidade conta com diversos cafés fantásticos onde é possível relaxar, ler livros, tocar instrumentos e curtir de fato a tranquilidade. Pra quem gosta de natureza, há trilhas de diversas horas apenas a alguns quilômetros do centro. À noite sempre tem algo acontecendo, alguma festa ou celebração, Pai me lembra um pouco Alto Paraíso de Goiás. Encontrei na cidade, Gal de Israel, com quem havia tomado conhaque nos Himalais, um mês antes. O Mundo dá voltas. Após uma semana por lá, era hora de explorar um pouco do sul do país.
Os ônibus na Tailândia são um caso à parte. Totalmente modernos, coloridos, possuem janelas amplas, ar-condicionado, televisão e até videogames, tudo isso por um preço bem econômico comparado ao Brasil. Fui para Koh Tao, ilha do leste tailandês famosa pelos mergulhos. Como tinha mergulhado no mar vermelho, em águas muito mais límpidas, decidi poupar um pouco e não mergulhar por lá. Não curti muito o clima do lugar e logo decidi ir para Krabi no oeste do país. Me despedi de Danilo e peguei o barco noturno rumo ao continente. Ocorre que esse barco tinha uma área comum com dezenas de colchões, um ao lado do outro, para que todos pudessem dormir de noite. Ao mesmo tempo era feito de madeira e que não parecia muita nova. Pegamos uma tempestade feroz, com ondas grandes que levantavam o barco e depois faziam com que ele caísse direto no fundo da onda. Foram 6 horas de pânico para mim. Não consegui dormir um segundo sequer. Tinha uma suíça ao meu lado e a primeira coisa que eu fiz foi segurar na mão dela (lembra da musica do avião?), ela, coitada, que já estava assustada pelo barco também se assustou com meu gesto, mas depois eu expliquei tudo hehe. Bem, no final sobrevivemos todos, mas, barco caindo aos pedaços à noite pelos mares da Tailândia? Nunca mais. Segui então de ônibus até Krabi.
O local é famoso pelas milhares de rotas de escaladas que existem, indo desde o nível mais iniciante até o mais difícil. Krabi está localizada no continente, mas o acesso até ela se dá somente de barco. Ela é dividida em duas partes: Rai Leh, com a maioria das paredes de escalada e Ton Sai com diversos bangalôs a preços bem econômicos. As duas são separadas por uma caminhada de 15 minutos. O único porém de lá é a chuva, nos três primeiros dias choveu sem parar por um instante sequer. Mas assim que o tempo melhorou eu fiz um curso de escalada de três dias incluindo lead climbing e multi pitch. A escalada exige completo preparo físico e mental já que você vai estar exposto o tempo inteiro. No lead climbing você vai na frente fixando os grampos e há sempre o risco de se cair 4 ou mais metros se você não conseguir se segurar na rocha, mas sempre preso pela corda, já no multi pitch, você escala diversos trechos longos e seu parceiro vai subindo junto com você, ora você na frente ora ele, ou seja, não há ninguém em solo e assim pode-se subir 30, 60 ou quantos metros for possível. No final, os dois podem descer de rapel. Na escalada, sua vida está nas mãos de seu parceiro e na sua também, por isso, você precisa de confiança total tanto nele quanto em você mesmo. No rapel você controla a descida em suas mãos e caso solte da corda você cai direto no solo. Haja emoção. Após os três dias de curso, confesso que fiquei apaixonado pelo esporte. Mas logo voltou a chover e era hora então de voltar para a oeste tailandês, desse vez para a infame festa da lua cheia em Koh Phangan.
Todo mês, milhares de turistas visitam a ilha para a festa, em sua maioria adolescentes britânicos buscando um pouco de diversão para a monótona vida na Inglaterra. Danilo estava por lá também e nós então aproveitamos para conhecer um pouco do lugar. A ilha tem diversas atrações além da festa: é possível ver elefantes e crocodilos, visitar vilas de pescadores, comer frutos do mar à vontade por dez reais e por aí vai. Um dos lucros que os nativos tem é alugar motos para estrangeiros inexperientes e assim que eles tem algum acidente, receber dinheiro para arrumar a moto. Eu presenciei pessoalmente uma britânica destruir sua moto e ter que pagar mil dólares de reparos. Há diversas festas antes da principal, algumas delas em casas com piscinas e outras em bares. O povo enlouquece por lá. Há muitos brasileiros de Florianópolis e região que vão só pra curtir o evento e jogar futebol na praia. Na noite de lua cheia, todos compram baldinhos com whisky barato e energético e enchem a cara até não poder mais. Na praia, shows com bastões de fogo atraem a atenção de todos. Eu pessoamente não curti o evento e se você não está interessado em bebedeira e gente caindo por toda parte, visite Koh Phangan na lua minguante ou na lua nova.
Tailândia tem outros fatos interessantes: nós brasileiros, por um acordo bilateral com o governo tailandês, temos visto de 3 meses. O país é conhecido pelo número de transsexuais que vivem por lá. Conversando com um deles me surpreendi: me disse que desde os 2 anos de idade já sabia que era transsexual: auspicioso. Outro fato interessante é a luta Muay Thai que pode ser vista por todo o país e que se tornou igualmente popular, talvez até mais, aqui no Brasil. A higiene também é bem estimada por lá: em diversos supermercados, lojas e nos ônibus você tem que tirar os sapatos antes de entrar. Tailândia é um destino exótico e até fácil de viajar, mas todo cuidado é pouco. Tem ilhas e praias que é melhor você não ir com a sua família e tem outras que é melhor você nem ir hehe. Mas fica a critério de cada um. Depois da festa da lua cheia, eu senti que era hora de conhecer um pouco mais do Camboja e foi pra lá que eu fui. Conto na próxima.
Mister Luram Toccacelli
Enfaixados
Enfaixados
Pirofagia
Pirofagia
Aventura no Barco Noturno
Aventura no Barco Noturno
Koh Phangan
Koh Phangan
Krabi
Krabi
Danilo animado para a Full Moon Party
Danilo animado para a Full Moon Party
Krabi
Krabi
Happy Shakes
Happy Shakes
Um Gato
Um Gato
Santa Rola
Santa Rola
Naja
Naja
Sleep Area
Sleep Area
Seleção de filmes temáticos em Koh Phangan
Seleção de filmes temáticos em Koh Phangan
Baldinhos com Whisky
Baldinhos com Whisky e energético barato
Scorpion
Scorpion
Amy, californiana em Bangkok
Amy, californiana em Bangkok
Comendo um escorpião
Comendo um escorpião
Tudo é rosa por lá
Tudo é rosa por lá
Gay Cut
Gay Cut
Templos
Templos
Profundo
Profundo
Yakult meio litro. Finalmente.
Yakult meio litro. Finalmente.
Bangkok
Bangkok
Templo em Chiang Mai
Templo em Chiang Mai

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Religiosidade
Religiosidade
Pai
Pai
Escorrega natural
Escorrega natural
Danilo em Pai
Danilo em Pai
Correndo da foto
Correndo da foto
Noemy em Bebop Bar, Pai.
Noemy em Bebop Bar, Pai.
Rice Paddles
Rice Paddles
Cachu em Pai
Cachu em Pai
Visual
Visual
Danilo tocando Ukulele
Danilo tocando Ukulele

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Enfaixada
Enfaixada
Chuck Norris
Chuck Norris
Fogo
Fogo
Krabi
Krabi. Ton Sai e Rai Leh
Krabi
Krabi
Escalada
Escalada
Spider Man
Spider Man
Início da Luta
Início da Luta
Muay Thai
Muay Thai
Em Vós
 
Uma chuva, chuva fina vai caindo
Sobre as folhas, sobre as folhas desta mata
E é justa, justamente em seu caminho
Que eu encontrei, que eu encontrei essa cascata
 
Água luz-cristal vai me banhando
Sol agora vem forte dourado
Eu paro surdo mudo meditando
No som deste silêncio ritmado
 
Morre tudo o tempo voa num segundo
O que será de mim quando o eu não for mais nada
Não é a vida a cascata deste mundo
O movimento desta terra semeada?
 
Quem será, quem vai poder te descobrir
O mistério sério que sereia a nós?
Quem chegou à vida já não mais precisa ir
Tudo nasce, cresce, morre em vós!
Mister Luram Toccacelli
Pai, Tailândia.

 

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