O Mundo em Fotopoesia

O projeto “O Mundo em Fotopoesia” é uma extensão da minha viagem de volta ao mundo. Um ano e meio no exterior me rendeu muitas fotos de lugares desconhecidos, situações inusitadas e experiências diversas. Juntamente com as fotos, cada lugar me inspirou a escrever poesias que me serviram para registrar momentos que de outra forma seriam esquecidos. 
Unir poesia e fotografia dentro do projeto é uma forma de eternizar cada precioso momento da minha viagem. Para que outros viajantes possam também desfrutar de um pouco daquilo que eu vivenciei e conhecer melhor os lugares por que passsei. Para que aqueles que não se atrevem a pisar fora do seu próprio mundo possam também ter acesso a essa experiência maravilhosa que é se aventurar e quem sabe através disso possam também ser inundados com essa vontade de descobrimento e essa sensação de paz que inunda o corpo de quem viaja. 
Anima-te viajante que uma longa viagem começa com um único passo e existe um mundo inteiro maravilhoso lá fora só esperando para ser descoberto. Não tenha medo dos perigos da jornada que o maior perigo é não viver.
Resumo
Sem título
Comecei em maio de 2012 num vôo de São Paulo à Recife. No dia 26, voei da capital pernambucana à Frankfurt iniciando minha volta ao mundo. Arrumei um anfitrião na Alemanha através da internet e passei então a usá-la para descobrir amigos e hospedagens em todos os países. Em junho de 2012 percorri a pé o caminho de 800 quilômetros até Santiago de Compostela durante 25 dias, realizando um desejo que estava no meu coração. Entrando em contato com pessoas maravilhosas, descobri que a solidariedade era uma qualidade do caminho e marca dos peregrinos. Dormi e comi gratuitamente em diversas partes do trajeto.
Visitei Marrocos em seu momento mais crítico: durante o Ramadã em agosto de 2012, no qual todos os muçulmanos faziam o jejum prescrito de um mês entre o nascer e o por do sol. O ritual é uma prova de fé na qual todos ficam sem comer e beber durante o dia, mesmo sob um sol de quase cinqüenta graus. Quando caía a noite, as cidades todas do país paravam para realizar o desjejum ou café da noite. Mesmo motoristas de ônibus e vendedores faziam uma pausa para comer o sagrado alimento.
Em novembro de 2012, presenciei a guerra entre Israel e Palestina, precisando me esconder várias vezes dos supostos mísseis dirigidos ao território israelense. Visitei ambos os lados do conflito e constatei a brutal diferença de tecnologia e desenvolvimente entre ambos, o que torna ainda mais injusta a agressão com a qual a Palestina vem sofrendo ao longo das décadas.
No fim de 2012, fui ao Egito, às pirâmides de Gizé, ao templo de Abu Simbel e à região do Sinai, incluindo uma subida ao monte Horeb (Sinai). Lá, segundo a tradição religiosa, Moisés teria recebido as tábuas da lei. No início de 2013, uma passagem pela África garantiu uma experiência mais profunda com o continente. Marcas de pobreza, de fome, mas também de solidariedade foram deixadas pela população local do Quênia, da Tanzânia e de Uganda. A partir de então, comecei a olhar o mundo de outra forma. Não só a valorizar o país em que eu nasci, mas também a perceber que muitos lugares do mundo precisam de nossa intervenção, sendo muito mais necessitados do que o Brasil. O ápice desta parte da viagem foi justamente a espetacular subida ao topo do Kilimanjaro. Vulcão extinto com quase 6 (seis) mil metros de altitude, é considerado o teto da África.
De volta ao hemisfério norte, finalmente cheguei a tão sonhada Índia. Lá, iniciei minha jornada rumo ao sul. Goa, com sua energia frenética e com a presença da tradição portuguesa, foi muito bem explorada e festejada. Em Pushkar, participei do Holi Festival, que celebra o início da primavera com muitas cores, sabores e peculiaridades. Segui então para a clássica ida ao Taj Mahal. Varanasi mereceu também uma curta visita. Na parte final desta viagem de três meses pelo país, visitei cidades sagradas como Rishikesh, conhecida como a capital internacional do Yoga e Dharamsala, local onde está assentado o Dalai Lama. Terminei a visita à Índia, em Ladakh, extremo norte do país, subindo os altos picos da região.
Maio reservou uma espetacular visita aos Himalaias e ao Everest, no Nepal. Entrei em contato com a cultura tibetana local e com os Sherpas que crescem e vivem nas montanhas. A visita ao monastério do Chefe Tibetano Rimponche foi o ápice espiritual no país. Já o ápice físico foi a chegada ao acampamento base do Everest, a mais de 5300 m de altitude. Com uma mochila pesada nas costas e apenas com um mapa, explorei de forma independente as regiões mais altas e sagradas do planeta.
Junho de 2013 guardou uma visita à Tailândia e a seus riquíssimos e ornamentados templos. A tranqüila vila de Pai ao norte e a província de Krabi foram os pontos altos. Aproveitei o tempo para realizar um curso de escalada em um dos lugares mais espetaculares do mundo, Hat Rai Le. Julho reservou um momento de profunda meditação. Um Vipasana independente realizada na incrível ilha de Koh Rong no Camboja. Dez dias em uma cabana sem falar e sem contato com o mundo exterior garantiram a devida assimilação de tudo que representava aquela viagem pelo mundo.
Vietnã e Indonésia deram o fechamento da viagem: vulcões ativos de mais de três mil metros de altitude na Indonésia e mergulhos nas fortes correntes dos mares do país foram grandes desafios pelos quais passei. Por fim, cheguei bem perto do dragão de Komodo, na ilha das flores. Foi de lá que em setembro de 2013, voltei pra Sampa, ponto inicial de tudo. No aeroporto, após 48h de voos, reecontrei minha mãe, irmãos e avó. Em um ano e quatro meses, o mundo ficou pequeno e a vivência grande. Com muita poesia e jogo de cintura foi possível dar uma volta a um mundo que parecia tão distante. Chegar à São Paulo depois de toda essa aventura foi uma dádiva. Compartilhar toda essa experiência é a missão a qual me dedico atualmente. Muitos me perguntam por quantos países passei. Apesar de não achar números tão importantes, coloco abaixo a relação de todos eles para esclarecimento. Até agora estive em 45 países ao redor do mundo. O que incrivelmente equivale a 21% dele. Ou seja: ainda há muito que se conhecer. Viajar é para sempre.
Lucas Ramalho
Conheça aqui cada canto desse Universo!
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Indonésia – A Chave de Ouro

O Mundo em Fotopoesia: Indonésia
A Indonésia foi o último país da minha volta ao mundo. De Hanói eu peguei um avião para Jakarta. A capital se situa na ilha de Java e é um aglomerado de 20 milhões de pessoas. País de maioria muçulmana, conta com forte presença budista sobretudo em Bali. A Indonésia é um país extremo, ariano, fogo e conta com mais de 17 mil ilhas, sendo o maior arquipélago do mundo. Com mares revoltos e dezenas de vulcões, muitos deles ativos, não é raro populações inteiras serem deslocadas devido a uma erupção. O país é ótimo para um explorador que gosta de se aventurar pela natureza, seja mergulhando, fazendo trekking pelos vulcões ou conhecendo os dragões de Komodo.
Em jakarta, eu tive duas ótimas surpresas. A primeira delas é que eu cheguei justamente no último dia do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, então o país estava em festa. Segunda, que reencontrei Lirón da Dinamarca que havia conhecido no Egito, 8 meses antes. Sem combinar nada, nos encontramos à noite em uma das milhares de ruas da capital. Santa Sincronia. Fomos celebrar juntamente com Ferry, holandês que também tinha acabado de chegar no país. Mas não perdi muito tempo por lá, logo segui de trem para o interior da ilha, em busca dos vulcões. Yogyakarta foi minha próxima parada. Apesar de ter ido só, reencontrei Ferry por lá, Lirón ficou em Jakarta.
Na manhã seguinte eu fui de bicicleta até Borobudur, templo budista Mahayana do Século IX. A trip rendeu no total 100 quilômetros feitos em aproximadamente cinco horas. Valeu a pena. O templo é realmente interessante, apesar de uma multidão visitá-lo todos os dias. De volta à cidade, fui a um restaurante tomar um café e escrever um pouco. Então comecei a conversar com Devi, que trabalhava por lá. Eu disse que era brasileiro e para minha surpresa na mesma hora ela me convidou para sair. Perguntei se ela não estava em horário de serviço, mas ela disse que o trabalho era bem flexível hahaha. No dia seguinte eu sai do hotel e me “mudei” para a casa dela.
Nós fomos então conhecer o famoso vulcão Merapi, o mais ativo da Indonésia, com 2968 metros. Eu fui dirigindo a scooter dela e Ferry foi com sua namorada em outra moto. Saímos dez da noite da cidade para uma trip de 3 horas até a base do vulcão, de onde então começaríamos a caminhada. Nos perdemos várias vezes pelo caminho e o frio só ia aumentando conforme íamos subindo pela estrada. Ferry estava congelando. Chegamos por volta das 2h da manhã e nenhum dos três teve coragem de começar a subida. Eu fui sozinho. Eles ficaram dormindo lá na base. Após 3 horas em um forte ritmo alcancei o topo do vulcão. Uma dezena de pessoas já estava por lá. O visual é inacreditável e é possível ver a lava borbulhando no meio do vulcão. Não pareceu muito seguro hehe, mas como experiência valeu muito a pena. Desci em uma hora e reencontrei Devi sonolenta me esperando por lá. Ferry e sua namorada já tinham se mandado. Eu estava morto de sono e como voltei dirigindo, paramos em um café para descansar. Após recuperar o fôlego, voltamos então para Yogyakarta.
A cidade é bem peculiar: conta com uma avenida central estilo 25 de março repleta de lojas, com milhares e milhares de pessoas dia e noite vagando por lá. Sem moto é difícil se deslocar na cidade, como Devi tinha duas eu consegui visitar alguns pontos turísticos enquanto ela estava trabalhando. Nós também aproveitamos o calor para ir à praia que fica há duas horas de lá. Confesso que nem me arrisquei na água, nunca vi mar tão revolto como aquele. À noite fomos ao Ramayana Ballet que conta a história do casal mais famoso do mundo oriental: Devi e Rama, mesmos nomes nossos, Devi e Rama, como eu custamava ser chamado por lá. O curioso foi que choveu durante o espetáculo e como era a céu aberto todos continuaram assistindo o show de guarda-chuva, inclusive a gente. No total fiquei oito dias em Yogyakarta, apesar de ter planejado apenas dois. Devi tinha que retornar para Brunei onde trabalhava e eu então acabei seguindo viagem para Bali. Nossa despedida foi em um show de Reggae que rolou no Rasta bar, no centro da cidade.
Antes de chegar à Bali, fiz uma visita a Ijen Crater, famosa pelos trabalhadores que coletam enxofre das paredes da cratera. Ganhando cinco centavos por quilo coletado, eles vivem em regime de quase escravidão. Há também um grande lago de enxofre na base da cratera famoso pelo fenômeno do fogo azul, gás sulfúrico inflamado que aparece durante a noite e atrai milhares de visitantes.
Bali é uma ilha exótica, mas super turística. De maioria budista, os habitantes mantém as tradições de longa data. Suas praias são convidativas para surfar, logo aluguei uma prancha e fui me aventurar na praia central. Ocorre que o mar é sempre traiçoeiro e as correntes de retorno (rip currents) me levaram quase para alto-mar. Sem conseguir voltar, comecei a acenar para os últimos surfistas que já pareciam bem longe. Esperei um pouco e não tentei ir contra a corrente, apenas relaxei. Depois de alguns minutos, comecei a voltar vagarosamente e por sorte consegui chegar até a beira. Alguns surfistas me ajudaram no retorno. Eu já estava quase com hipotermia. Mar é coisa séria.
A ilha conta infelizmente com muitos policiais corruptos. Eu dirigia uma scooter quando um policial se aproximou dizendo que eu havia cometido uma infração: virei à esquerda e depois voltei para a principal já que eu tinha errado a rua. Me mostrou um desenho de uma moto fazendo isso com um X  dizendo que não era permitido. Logo me pediu dinheiro, creio que 20 dólares. Ele segurou a minha carta e eu me recusei a pagar. Então ele disse que eu teria que ir até o juiz para pegá-la de volta. Como não queria enfrentar esta burocracia, ele disse que eu poderia ter a carta de volta caso pagasse. No fim das contas, deixei 10 dólares com ele, mas tratei logo de sair daquela ilha. Fui para Lombok.
A ilha é bem mais interessante que Bali e atrai menos turistas. Fui fazer um trekking no segundo vulcão mais alto do país, Monte Rinjani. A 3726 metros, ainda está ativo e acidentes fatais não são raros. Geralmente se recomenda 3 dias para chegar ao topo com 2 pernoites na base dele. Porém eu resolvi subir em apenas uma noite e mesmo os guias se recusaram a ir comigo dizendo que era impossível. Então comecei às 20h guiado apenas pelo GPS. À meia-noite encontrei dois indonésios perdidos ainda no platô, eles tinham ligado para os seguranças que logo chegaram de moto. Eu disse que estava indo rumo ao pico e eles então decidiram me seguir após uma conversa com os seguranças. Mas logo ficaram para trás, já que estavam num ritmo muito mais lento e aparentemente relembraram o caminho. A trilha é bem árdua sobretudo se for fazer em apenas uma noite. A última parte é realmente desgastante. Como a trilha até o topo é de pedras soltas misturadas com areia e cinzas vulcânicas, cada passo acima é dois abaixo. Mas eu fiz isso e às 7h da manhã cheguei finalmente ao pico. A paisagem é fantástica e também é possível ver o vermelho-fogo da lava no núcleo. Após fotos e um lanche rápido, voltei até o início, dessa vez em apenas 3 horas. Não recomendo obviamente que alguém vá sozinho e em apenas uma noite, a não ser que saiba muito bem o que está fazendo, até porque é comum mortes de estrangeiros por acidentes nessa montanha.
Feito isso fui para Gili, famosas ilhas cuja circulação de motos e carros é proibida. Um paraíso, porém completamente lotado, estilo Guarujá. Fiz um mergulho, porém a visibilidade não estava muito boa. Mas valeu a pena o pôr do sol, que é fantástico. Voltei para Lombok e logo me dirige a Lakey Beach, paraíso dos surfistas no meio da ilha. Fui como sempre com um francês, Gil. Dividimos uma pensão e no dia seguinte fomos tentar surfar. De longe, as ondas não pareciam tão grandes, porém in loco eram imensas para um surfista iniciante. Gil foi na frente e quando eu entrei no mar, ele estava branco. Ele apenas me olhou e disse: elas são muito grandes, cara. E realmente eram. Tentamos por uma hora mais ou menos, mas eu só engoli água e levei caldo. Em uma delas fiquei quase 1 minuto submerso, não conseguia subir de jeito nenhum e quando voltei à superfície, outra onda veio e mais um minuto submerso. Realmente é preciso ter peito e respeito para surfar.
A última parte da trip foi na Ilha das Flores, pertinho da Ilha de Komodo, do famoso dragão. Mergulhar por lá é divino. Em um dos mergulhos que fiz, fiquei lado a lado com 3 tubarões. Realmente incrível. Fui então conhecer os perigosos dragões de Komodo, que para minha surpresa ficam bem próximos das instalações dos guardas que tomam conta do lugar. Era meio-dia e eles estavam deitados embaixo da estrutura da cozinha que era elevada. Estavam tirando uma soneca. Mas não se engane, são venenosos e caso alguém seja atacado, tem 24 horas para ir ao hospital, do contrário morre. Geralmente eles evacuam a pessoa de lancha super rápida até Bali.
No dia 7 de setebro, dia da independência, peguei então o avião de volta ao Brasil. O avião não, cinco aviões, foram 48 horas de viagem de onde o vento faz a curva até São Paulo. Era hora de voltar pra casa depois de quase um ano e meio de aventuras. Ainda no aeroporto da Ilha das Flores, havia uma sacada no segundo andar e todo mundo que estava ali, indonésios e indonésias, acenaram para mim dizendo adeus enquanto eu andava até o avião. Eu senti como se fosse realmente o encerramento de um filme que foi filmado durante toda essa minha viagem. Valeu muito a pena e eu faria tudo novamente.
Viajar o mundo não é perigoso como se pensa, aliás o maior perigo é ficar preso, não em um lugar físico, mas dentro de si mesmo, da sua jaula mental, dentro de preconceitos, idéias fixas, condicionamentos e mentiras que tomamos como verdade. Não acredite na tevê quando diz que o mundo é perigoso, não acredite em seus pais quando dizem para não falar com estranhos, duvide até mesmo de você quando acha que não pode fazer algo, mesmo querendo fazer. O mundo é como uma pedra de amolar, afia-nos ou desgasta-nos conforme o metal que somos feitos. Não deixe o tempo passar sem que você faça algo com ele, não queira sentir a dor do adiamento. O mundo está aí apenas esperando para ser descoberto, dia após dia, é possível se encantar e se maravilhar com o que ele nos oferece. Sabedoria é encontrar o divino no profano, o fantástico no cotidiano e a verdade no engano. 
Lucas Ramalho
Jakarta
Jakarta
Roda gigante portátil - incrível!!!!!!
Roda gigante portátil – incrível!!!!!!
Jakarta
Jakarta
Jakarta
Jakarta
It's me!
It’s me!
Família no trem na ilha de Java
Família no trem na ilha de Java
Yogyakarta
Yogyakarta
Yogyakarta
Yogyakarta
Meditação
Meditação
Vista de Borobudur
Vista de Borobudur
Borobudur
Borobudur
Pulhas
Pulhas
Ferry e sua namorada
Ferry e sua namorada
Fogueira para aquecer a noite.
Fogueira para aquecer a noite.
Topo
Topo
Lava no vulcão Merapi
Lava no vulcão Merapi
Acima das Nuvens
Acima das Nuvens
Topo do Merapi
Topo do Merapi
Nascer do Sol no Vulcão Merapi
Nascer do Sol no Vulcão Merapi
Merapi
Merapi
Praia na Ilha de Java
Praia na Ilha de Java
Restataurante em Yogyakarta
Restataurante em Yogyakarta
Rama, Devi, Rama, Devi e Hanuman. Ramayana Ballet.
Rama, Devi, Rama, Devi e Hanuman. Ramayana Ballet.
Teatro de guarda-chuva
Teatro de guarda-chuva
Bom Dia Universo
Bom Dia Universo
Topo
Topo
Trabalhadores do Enxofre
Trabalhadores do Enxofre
Enxofre
Enxofre
Lago de Enxofre
Lago de Enxofre
Bali
Bali
Bali Moto
Bali Moto
Sanduíche de artista, já ouviu essa música?
Sanduíche de artista, já ouviu essa música?
Safadenho
Safadenho
Oferenda
Oferenda
Bali
Bali

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Hanuman
Hanuman
Pisando no fogo
Pisando no fogo
Existem máquinas de escrever
Existem máquinas de escrever
Bom Dia Universo
Bom Dia Universo
êxtase!
Êxtase!
Efeito do sol no cabelo hehe
Efeito do sol no cabelo hehe
A subida é árdua
A subida é árdua
Pagando de gatinho
Pagando de gatinho
Topo do Rinjani
Topo do Rinjani
Café Brazuca
Café Brazuca
Gili
Gili
Gili Sunset
Gili Sunset
Lakay Beach
Lakey Beach
Wild LIfe
Wild Life
Sem dúvida, The Best!
Sem dúvida, The Best!
Relaxando no Ferry
Relaxando no Ferry
Super
Super
Cruzando a Linha de Wallace!
Cruzando a Linha de Wallace!
Batendo um Rango
Batendo um Rango
Mergulhar
Mergulhar
Águas Lindas
Águas Lindas
Dragão de Komodo
Dragão de Komodo
Rumo a Ilha das Flores
Ilha das Flores
Despedida no aeroporto de Ilha das Flores. Farewell
Despedida no aeroporto da Ilha das Flores. Farewell

 

Fim
 Toda vez que algo começa
Seja a luta justa ou a peça
Termina cedo ou tarde sem desleixo
 
É que a vida tem algo de estranho
Nada, nunca é de bom tamanho
Tudo sempre tem certo desfecho
 
Certo que nunca é certo ao certo
No alto da montanha ou no deserto
Chove, neva, esquenta e esfria
 
Tudo muda, exige uma mudança
Estar alerta, mente de criança
Ao se encher o copo se esvazia.
Lucas Ramalho
Gili Trawangan

Good Morning, Vietnam!

O Mundo em Fotopoesia: Vietnã
Após muitas aventuras no Camboja, segui então para o Vietnã, penúltimo país dessa minha jornada pelo mundo. Cheguei em Saigon e logo me hospedei no Hostel Backpackers. Pela manhã fiz um passeio de bike pelo intenso tráfego da cidade, haja motocicleta e poluição por lá. Como a maioria deles dirige bem devagar, acidentes graves são raros e mesmo de bike, eu acompanhava tranquilamente o fluxo. Fui visitar o museu War Remnants que retrata bem a triste realidade vivida pelo país durante a guerra do Vietnã. De ônibus então segui para Mui Ne.
A cidade fica à beira-mar e é uma das cinco top destinations para a prática de Kitesurf. Lá fui eu novamente me aventurar na prática de um novo esporte. Para quem costumava empinar pipa na infância não há muita diferença técnica, só que a pipa dessa vez pode chegar até 21 metros quadrados, suficiente para te levar junto pelos ares. Vendo de longe parece fácil, mas na hora que você segura a barra pela primeira vez,  dá pra sentir o frio na barriga. É preciso muita habilidade para manejar a pipa já que com um movimento errado, ela pode te arrastar centenas de metros pelo mar, te jogar com tudo sobre as água ou até mesmo fazer você decolar. Eu fiz o curso de 12 horas que inclui a parte teórica. A prancha exige bastante equilíbrio, para remar e para fazer as manobras. Eu consegui me equilibrar por alguns metros e só. É preciso treinar e pagar bastante para conseguir fazer aquelas “fáceis” manobras e pulos que costumamos ver de kitesurfistas experientes. Em minha última noite pela cidade, fui a um posto médico para comprar algo e encontrei uma moça com a perna quebrada: ela tinha me dito que o vento a jogou com tudo no mar e ela foi a nocaute. Por sorte foi resgatada, mas teve uma fratura na perna. É mole?
De ônibus segui então para Hoi An, diga-se de passagem, os ônibus lá são totalmente diferentes. Primeiro você tem que tirar os sapatos (coitado do motorista), depois há 3 fileiras de beliches, sendo duas laterais e uma central. Cada uma comporta 1 pessoa em cima e outra embaixo. Os 2 corredores são bem estreitos e quem é gordo sofre à beça. Por fim, não há como ficar sentado, já que a cama não é tão reclinável, então você ter que ir deitado o tempo inteiro, mesmo de dia. No entanto os ônibus são bem baratos e com menos de 100 reais, você cruza o país inteiro (~1600 km). De São Paulo, com 100 reais, você só chega ao Rio de Janeiro e olhe lá. Mas eu falava de Hoi An. A cidade é feita para mochileiros. Com um pequeno centro histórico e rodeada de templos, conta com diversos atrativos culturais. À noite todos os viajantes se reúnem em bares à beira do rio e celebram a vida com música e cerveja barata. Encontrei por lá o mesmo Danilo que eu havia conhecido na Tailândia. O mundo dá voltas.
Falando em cerveja barata eu segui então para Hue e para a minha surpresa alguns bares ofereciam um happy hour na faixa. Isso mesmo, das 19h às 23h, a cerveja era grátis e você não precisava comer nada. Alguns podem se perguntar por que, mas eu recomendo que você não questione, apenas beba e seja feliz. Obviamente a maioria pede algum petisco para acompanhar os drinks, mas é opcional. Naquela noite eu bebi muito bem. Dia seguinte fui de bike visitar o túmulo do famoso imperador Minh Mang do século XIX. Na volta a bike quebrou e como tinha uma van marcada para Dong Hoi, encontrei um jeitinho brasileiro: paguei um cara pra me levar de moto de volta para o hotel e a bike foi atravessada. Deu certo.
Dong Hoi é famosa pela caverna Paradise, uma das mais espetaculares que eu já vi. Existe até a possibilidade de se fazer um treking de alguns dias por dentro dela. As estalactites e estalagmites parace que foram esculpidas à mão, de tão lindas que são. Algumas são gigantescas e mais parecem pequenos montes. Sem dúvida, um dos pontos altos da minha trip pelo país. Na verdade ela fica a 60 quilômetros da cidade e é preciso alugar uma scooter para chegar até lá. É tranquilo.
Era começo de agosto e eu finalmente chegava à Hanoi. De lá peguei a van para a famosa Halong Bay, baía com cerca de 3 mil ilhas, declarada patrimônio histórico da humanidade. Eu fui para a ilha principal chamada Cat Ba. As possibilidades de exploração são infinitas: grutas, cavernas, montanhas, praias, outras ilhas inabitadas. Eu, sempre de bike, fui conhecer o famoso Hospital Cave, abrigo à prova de bomba que serviu de esconderijo para os Vietcongues na guerra. Também conheci uma caverna que estava trancada. Ela possuía duas saídas e tinha no mínimo 3 quilômetros de extensão, contando com uma passarela para auxiliar na caminhada. Estava completamente escura e com uma lanterna fiz a exploração do local. Havia estátuas de deuses, uma piscina de cimento e vários morcegos. Nada de assustar hehe.
No total eu fiquei duas semanas pelo país que me serviram para entrar em contato com esse povo maravilhoso. Conversei  bastante com os locais e também desfrutei das belezas naturais que o país oferece. O Vietnã pode ser explorado com mais tempo, é um país que vale a pena voltar. De Hanoi eu peguei então meu vôo para o último destino dessa minha jornada, Indonésia.
Lucas Ramalho
Cérebro de Macaco. vai um?
Cérebro de Macaco. vai um?
Doces
Doces
Tin Tin
Tin Tin
Casando no Tráfego de Saigon
Casando no Tráfego de Saigon

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Religiosidade
Religiosidade
Deuses
Deuses
Libertando os pássaros
Libertando os pássaros
Remando com os pés
Remando com os pés
Máquinas de guerra
Máquinas de guerra
Tortura
Tortura
Destruição
Destruição
Agentes da morte
Agentes da morte
Bazooka
Bazooka
Napalm
Napalm

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Entenda as raízes da guerra
Entenda as raízes da guerra
Mui Ne Beach
Mui Ne Beach
Essa ávore é boa
Essa ávore é boa
Vietnã e suas roupas
Vietnã e suas roupas
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O Buda que sempre ri!

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Treinando para o Kite
Treinando para o Kite
Ponte Japonesa em Mui Ne
Ponte Japonesa em Mui Ne
Mui Ne
Mui Ne

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Cidade Imperial
Cidade Imperial
pagoda
pagoda
Rio Perfume
Rio Perfume
Minh Mang Tomb
Minh Mang Tomb
Hospital Cave
Hospital Cave
Hospital Cave
Hospital Cave
Piscina de cimento
Piscina de cimento
Oferenda em caverna
Oferenda em caverna
Voando, voando
Voando, voando
Casamento em Hanói
Casamento em Hanói
Café
Café
Grupo de coereanos
Grupo de coereanos
Antiga Sede de Saigon
Antiga Sede de Saigon
Secando os peixes
Secando os peixes
Lótus
Lótus

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Formação na caverna usada como templo
Formação na caverna usada como templo
Paradise Cave
Paradise Cave
Infelizmente muitas crianças tomam Red Bull desde pequenas por lá!
Infelizmente muitas crianças tomam Red Bull desde pequenas por lá!
Halong Bay
Halong Bay
Cat Ba Island
Cat Ba Island
Jeitinho vietnamita!
Jeitinho vietnamita!
Motos, muitas motos!
Motos, muitas motos!
Coca-cola?
Coca-cola?

 

A Pipa
 
O Menino com a pipa na praça
Brinca sem que o tempo passe
Mesmo o tempo estando a passar
O menino continua a brincar
 
O vento estando a soprar
A pipa continua no ar
O vento faz o tempo passar
Sopra desde quando a gente nasce
 
E não há quem quer que faça
O vento parar de soprar
É por isso que o menino brinca
E o adulto se põe a olhar
 
Olhar é perder a pipa
É sonhar com ventos alheios
Flores nascidas ao longe
Onde seu vento não passa
 
Eu ainda tenho a pipa
Guardada aqui no peito
E este sangue que circula
É o vento que vai batendo
 
Sou criança de rua
Descalço dos olhares
Não preciso de sapatos
Vou voando pelos ares.
Lucas Ramalho
Hoi An

Descobrindo o Camboja

O Mundo em Fotopoesia: Camboja
Da Tailândia eu segui de ônibus para o Camboja. O país é bem interessante e peculiar. Logo após a fronteira eu fui tomar um café com leite e para minha surpresa eles me deram café com leite condensado. Insisti então que queria leite normal e eles não entederam, leite e leite condensado é a mesma coisa no Camboja. Outro fato interessante é que o país felizmente não tem moedas, apenas papel-moeda, tanto dólar quanto a moeda local, Riel. O único país do mundo que eu conheço que não trabalha com moedas. Parabéns!
A primeira cidade que eu visitei foi Siem Reap, que fica ao lado do complexo arqueólogico de Angkor. Fiquei no Downtown Hostel, um dos melhores da trip. Barato, com piscina e happy hour até de madrugada, nada melhor para aliviar o calor do quente verão asiático. A cidade é totalmente plana e eu fui de bike até Angkor. O sítio arqueológico é uma verdadeira cidade com centenas e centenas de templos ricamente esculpidos que foram a sede do Império Khmer do século IX até o XV. O mais famoso deles é Angkor Wat, maior templo religioso do mundo. Vale a pena um olhar mais cuidadoso, destaque para o Churning of the Ocean of Milk. Um dia inteiro é suficiente para conhecer os principais pontos, mas é possível adquirir um passe de três dias para conhecer melhor cada um deles. Destaque também vai pra Ta Prohm que foi “engolido” por árvores gigantescas que cresceram sobre os muros do templo. Local adorado pelos poetas e ótimo para meditação.
À noite fui a um restaurante no centro da cidade e comecei a conversar e beber com uma moça local. Apesar de em um primeiro momento eu não perceber, ela era uma prostituta. Fomos juntos então a um bar com música ao vivo. Quando a música parou, ela gritou: “Look my sexy boyfriend” apontando para mim e então continou dançando sem parar. Todos ficaram me olhando. Impagável. Depois dessa eu disse bye-bye pra ela e voltei pro hotel.
Dia seguinte fui de bike até uma vila próxima que possuía um templo desconhecido, mas bem interessante, Chau Srei Vibol. No total eu pedalei 60 kms e fiquei feliz de ver tanta gente pedalando por lá. Muitos deles em grupos. À noite, Apesar de não ser recomendado, combinei com Euridice, francesa (como sempre), de ir acampar em um reservatório próximo no dia seguinte. Fomos de bike e levamos a barraca na garupa. O local é praticamente uma praia e conta com uma faixa de areia perfeita para acampar. O dono do hostel ficou furioso que nós decidimos ir acampar, eles nos amedrontou dizendo que ainda haviam soldados da época de Pol Pot vagando pelas florestas do país e que poderiam ser bem perigosos. Nós fomos mesmo assim. Lá na “praia” diversas famílias moravam próximas e nos auxiliaram com mais informações. Esperamos o entardecer e armamos então a barraca em um local mais escondido. Mais à noite, já estávamos quase dormindo, quando uma lanterna vinda do meio do lago foi apontada para nossa barraca e nós imediatamente pensamos que era a políca, que o dono do hostel tinha mandado eles atrás da gente. Euridice ficou em pânico e queria sair correndo, Após um momento de reflexão, nós então pensamos que poderiam ser também bandidos que tinham vindo nos roubar haha. Nós começamos a se esconder atrás dos arbustos e ficamos uns 20 minutos nesta situação indo de um lado para o outro. Conforme a luz ia se aproximando, o óbvio veio à tona: eram apenas pescadores que usavam a lanterna para se localizar durante à noite. Tudo isso ocorreu por todo o medo que o dono do hostel colocou na gente. A mente humana é mesmo uma terra fértil, tanto para o medo quanto para o amor, cabe a cada um semear o que for melhor…
Eu segui então para a capital, Phnon Penh. Na cidade a primeira surpresa: todas as ruas eram numeradas, as paralelas eram pares e as perpendiculares, ímpares, tudo em ordem crescente. Incrível! Super inteligente! É impossível se perder por lá, mesmo sem mapa ou gps, sabendo o número da rua, basta seguir a sequência que você encontrará o seu destino. Cheguei facilmente até o hostel Encounters onde o fantástico Robert, gerente do local, me auxiliou com tudo. O ponto alto da cidade à noite é a avenida que segue o rio Tonlé Sap, um dos principais da cidade. Tive um jantar incrível com Francisco do Equador.
Dia seguinte foi a vez de visitar os Killing Fields, resgistro histórico dos crimes feitos em nome de uma das idéias mais estupidas já inventadas neste mundo chamada socialismo. Em nome dele, 2 milhões de cambojanos forma mortos. (Na Rússia foram 20 milhões, na China foram 50 milhões). É um momento triste, mas de reflexão. Nos convida a pensar que nenhuma idéia imposta à força, por mais incrível e lógica que seja, é suficientemente boa para melhorar o mundo. A forma mais coerente e efetiva para tal mudança é mudar a si mesmo, a sua mentalidade, a sua forma de pensar o mundo e logo isto será a semente da mudança e logo você verá o mundo com outros olhos. Tudo o mais irá gerar destruição e morte. Nos killing Fields, os soldados batiam as cabeças das crianças e recém-nascidos contra as árvores Chankiri  e ainda hoje é possível ver as marcas deste ato. Consegue imaginar um ser humano fazendo isso?
Após Phnon Penh, fui então para a incrível ilha de Koh Rong. Cheguei lá de barco ainda com o Francisco do Equador. Ao pisar na ilha todos os viajantes são levados a um restaurante onde instruções são dadas: informações sobre perigos da ilha, cobras venenosas, eletricidade, água potável etc. A ilha conta com plâncton fluorescente e à noite, quando a luz é cortada, é possível ver o mar brilhando conforme os banhistas se movimentam, espetacular! Fiquei 20 dias pela ilha. Nadei apenas com snorkel e nadadeiras até ilhas próximas, eu e Chico fomos de barco também a outros lugares mais distantes, fiz diversas trilhas enfrentando cobras perigosas. Aquele programa francês Survival foi gravado por lá, eu até visitei as instalações do  local.
O lugar é paradisíaco e um dos processos mais difíceis da minha vida ocorreu por lá: Vipasana. Ele consistiu em 10 dias sem comunicação com o mundo exterior, sem falar, sem olhar nos olhos e comendo apenas arroz sem sal com vegetais, ovo e água de coco e durante as refeiões, apenas meditação. Do outro lado da ilha, quase não havia turistas e lá encontrei uma cabana onde poderia realizar o tal Vipasana, senti que tinha que fazê-lo por ali. Conversei com a cuidadora do lugar e ela topou em cozinhar para mim por esses 10 dias. Só que ela não falava inglês muito bem e no terceiro dia eu queria avisá-la para parar de me dar ovo frito, pois eu queria ovo cozido. Escrevi então no papel e ela precisou levar o rascunho até um hotel próximo e o gerente do local então traduziu para ela. O que mais eu senti falta não foi o falar, foi o me movimentar, mexer o meu corpo. Ficar em silêncio é fácil, difícil é ficar parado, sem se mexer o dia todo. Meu corpo queria fugir, andar por aí. Geralmente o Vipasana é feito em monastérios, em grupos, com o auxílio de monges. Eu preferi fazer o meu próprio. Valeu muito à pena, pois foi o momento de parar e refletir sobre tudo aquilo que eu tinha vivenciado até então. Foi um verdadeiro privilégio realizar esta viagem de volta ao mundo e é algo que eu vou levar para sempre. Não há dinheiro nesse mundo que pague essa oportunidade de conhecer o mundo como ele é, sem frescura, sem hotel cinco estrelas, sem táxi com ar-condicionado. Faria tudo novamente. Após toda essa intensa vivência que eu experienciei, eu segui então para o Vietnã.
Dito isso, desejo a todos que estão me lendo que possam enfrentar seus monstros cultivados interiormente, que possam enfrentá-los como homens e mulheres e não como covardes e submissos. Não acreditem na tevê quando dizem que o mundo é violento e perigoso, não acreditem em seus pais quando dizem que o mundo é perigoso, nem sequer acreditem quando dizem para que você não fale com estranhos, eles estão apenas reproduzindo o que aprenderam, não pararam para refletir sobre isso, mas você, você pode fazer isso, você pode falar sim com estranhos, o mundo é feito de estranhos, você pode sim conhecer o mundo e se aventurar por ele, não duvide disso, não desperdice sua vida em frente da tevê, se alguém disser que existe outra vida, peça que provem isso com assinatura e registro em cartório (até hoje não me provaram). Não há nada mais precioso do que a vida e se hoje eu morresse, eu morreria tranquilamente.
Lucas Ramalho
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Camboja
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Siem Reap

 

Muitas bikes por lá
Muitas bikes por lá
Chau Srei Vibol
Chau Srei Vibol
Chau Srei Vibol
Chau Srei Vibol
Crianças lindas
Crianças lindas
Minhas Duas Noivas
Minhas Duas Noivas
Churning Milk Way
Churning Milk Way
Angkor Wat
Angkor Wat
Angkor
Angkor
Heaven's Door
Heaven’s Door
Ta Phron
Ta Phron
Ta Phron
Ta Phron
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Militar
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Ta Phrom
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Reservatório
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Praia no Camboja
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Euridice
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Camboja

 

Passarinho
Passarinho
Luta
Luta
Cobras e Rãs
Cobras e Rãs
Motos, muitas motos
Motos, muitas motos
Chankiri Tree, onde os estúpidos animais humanos batiam as cabeças das criancas!
Chankiri Tree, onde os estúpidos animais humanos batiam as cabeças das criancas!
Prisão para quem?
Prisão para quem?
Francisco indo para Koh Rong
Francisco indo para Koh Rong
Maior coco que eu já vi
Maior coco que eu já vi
Boi d'água
Boi d’água
Koh Rong
Koh Rong
Cobra
Cobra
Café com gelo
Café com gelo
Dança dos peixes
Dança dos peixes
Local do Survival
Local do Survival
Ponte em Koh Rong
Ponte em Koh Rong
Cachu em Koh Rong
Cachu em Koh Rong
Space Cakes
Space Cakes
Koh Rong
Koh Rong
Koh Rong
Koh Rong
O barco e a ilha
  Um barco cruzava a paisagem
Como uma miragem eu o via
Com aqueles olhos que já viram
Muitos barcos passarem eu o via
 
E por um instante eu sonhava
Que ele viesse me buscar desta ilha
Que viesse me buscar de mim mesmo
Homem ilhado e de muitas tempestades
 
Náufrago de barba amarga
E olhos cor de chá de Jasmim
Eu acenava para o barqueiro
E ele apenas acenava de volta ao longe
 
Eu já não me desespero
Aprendi com o mar que o mar traz tudo de volta
Eu caminho pela praia por entre sorrisos de crianças
E lágrimas de adultos, daquele que eu era
 
Hoje voltei a ser criança
Desnudo deixei de cultivar esperanças
Mas tenho um jardim com algumas rosas
E até mesmo um grande baobá
 
Mas o barco… Por que nunca fiz um barco?
É porque esta ilha onde eu vivo passam todos os barcos
Como um farol eles a tem por referência
 
Estivesse eu fora da ilha ela não existiria
E os barqueiros também não a reconheceriam
Eu não teria meu jardim e nem
Os sorrisos de criança
 
 Eu gosto da ilha só não gosto de estar ilhado
E um barco não seria suficiente para resgatar o que eu sou
Mas por ter aprendido que o mar traz tudo de volta
Eu sei que os barqueiros sempre voltarão enquanto eu for ilha
 
E porque aprendi que apesar de ser ilha eu também sou o mar
Então passei a ver todos os barcos
E todas as ilhas repousando sobre mim
A partir de então eu deixei de estar ilhado.
Lucas Ramalho
Koh Rong  

Tailândia So High

O Mundo em Fotopoesia: Tailândia
Após uma sequência de trekkings pela Índia e pelo Nepal, era hora de relaxar um pouco. De Kathmandu eu voei para Bangkok, com escala em Delhi. Em minhas primeiras horas na Tailândia, eu já pude sentir uma enorme diferença. Tudo mais limpo, organizado e mais fácil. Os Rickshaws (triciclos ou quadriciclos motorizados usados como táxi) eram coloridos, alguns eram rosas e tinham sistema de som bem potente. O preço também aumentou na mesma proporção. Mas comparado com a Europa ou com o Brasil, nada de assustar. Conheci a famosa Khao San Road onde é possível provar o espetinho de escorpião e desfrutar de dezenas de opções de clubes e bares. O espetinho é bem gostoso e vale a pena. Na capital também é preciso tomar cuidado com pequenos golpes. Há muitos turistas circulando e também muitos oportunistas. No segundo dia, eu estava com uma californiana, Amy, e nós queríamos comprar uma passagem para o norte, então subimos num táxi que nos cobrou apenas 1 dólar para nos levar até o guichê da empresa de ônibus. Ele pilotou por apenas 1 minuto e obviamente nos deixou na porta de uma agência de viagens, nós só percebemos isso quando entramos dentro do local, ele já tinha se mandado. Pelo menos o prejuízo não foi tão grande. Também fomos ao infame ping pong show onde mulheres nuas fazem truques abrindo garrafas, tirando de dentro de si vários objetos e animais vivos e também arremesando bolas de ping pong tentando acertá-las dentro de um copo, tudo isso com a vagina. Casais, idosos, famílias e viajantes estavam sentados ao redor do palco assistindo a tudo isso. Não recomendo: as mulheres lá pareciam escravas e não estavam muito contentes com o show que elas mesmas faziam. Na Khao San diversos agentes passam fazendo um som de ping-pong com a boca e com menus descrevendo tudo que você verá no show, eu sugiro que você simplesmente se recuse a contribuir para este tipo de exploração.
Apesar da animação do lugar, Bangkok não é muito a minha praia e eu então fui pra uma cidadezinha lá no norte da Tailândia chamada Pai. Ela é famosa pelas 762 curvas da estrada que vai de Chiang Mai até ela. Na van eles dão saquinhos de plástico para todos em caso de alguém vomitar. A cidade em si tem apenas alguns quarteirões e ao redor existem diversos locais onde se pode conseguir chalés bem baratos. Lá conheci o Danilo do Brasil e nós então dividimos um. É possível alugar scooters e outras motos por preços módicos e sair então para explorar as cachoeiras e montanhas ao redor. Foi o que fizemos. Visitamos um mirante por uma estrada de terra bem árdua. Chegamos ao topo juntamente com a chuva e a volta foi bem dramática. As motos patinaram bastante, mas deram conta do recado. Muitos estrangeiros alugam motos no país e acidentes são mais frequentes do que diarreía por lá. Lembro que uma das minhas diversões favoritas era acordar de manhã e ver os enfaixados passando pra lá e pra cá, em uma delas cheguei a contar cinco no espaço de meia hora. A cidade conta com diversos cafés fantásticos onde é possível relaxar, ler livros, tocar instrumentos e curtir de fato a tranquilidade. Pra quem gosta de natureza, há trilhas de diversas horas apenas a alguns quilômetros do centro. À noite sempre tem algo acontecendo, alguma festa ou celebração, Pai me lembra um pouco Alto Paraíso de Goiás. Encontrei na cidade, Gal de Israel, com quem havia tomado conhaque nos Himalais, um mês antes. O Mundo dá voltas. Após uma semana por lá, era hora de explorar um pouco do sul do país.
Os ônibus na Tailândia são um caso à parte. Totalmente modernos, coloridos, possuem janelas amplas, ar-condicionado, televisão e até videogames, tudo isso por um preço bem econômico comparado ao Brasil. Fui para Koh Tao, ilha do leste tailandês famosa pelos mergulhos. Como tinha mergulhado no mar vermelho, em águas muito mais límpidas, decidi poupar um pouco e não mergulhar por lá. Não curti muito o clima do lugar e logo decidi ir para Krabi no oeste do país. Me despedi de Danilo e peguei o barco noturno rumo ao continente. Ocorre que esse barco tinha uma área comum com dezenas de colchões, um ao lado do outro, para que todos pudessem dormir de noite. Ao mesmo tempo era feito de madeira e que não parecia muita nova. Pegamos uma tempestade feroz, com ondas grandes que levantavam o barco e depois faziam com que ele caísse direto no fundo da onda. Foram 6 horas de pânico para mim. Não consegui dormir um segundo sequer. Tinha uma suíça ao meu lado e a primeira coisa que eu fiz foi segurar na mão dela (lembra da musica do avião?), ela, coitada, que já estava assustada pelo barco também se assustou com meu gesto, mas depois eu expliquei tudo hehe. Bem, no final sobrevivemos todos, mas, barco caindo aos pedaços à noite pelos mares da Tailândia? Nunca mais. Segui então de ônibus até Krabi.
O local é famoso pelas milhares de rotas de escaladas que existem, indo desde o nível mais iniciante até o mais difícil. Krabi está localizada no continente, mas o acesso até ela se dá somente de barco. Ela é dividida em duas partes: Rai Leh, com a maioria das paredes de escalada e Ton Sai com diversos bangalôs a preços bem econômicos. As duas são separadas por uma caminhada de 15 minutos. O único porém de lá é a chuva, nos três primeiros dias choveu sem parar por um instante sequer. Mas assim que o tempo melhorou eu fiz um curso de escalada de três dias incluindo lead climbing e multi pitch. A escalada exige completo preparo físico e mental já que você vai estar exposto o tempo inteiro. No lead climbing você vai na frente fixando os grampos e há sempre o risco de se cair 4 ou mais metros se você não conseguir se segurar na rocha, mas sempre preso pela corda, já no multi pitch, você escala diversos trechos longos e seu parceiro vai subindo junto com você, ora você na frente ora ele, ou seja, não há ninguém em solo e assim pode-se subir 30, 60 ou quantos metros for possível. No final, os dois podem descer de rapel. Na escalada, sua vida está nas mãos de seu parceiro e na sua também, por isso, você precisa de confiança total tanto nele quanto em você mesmo. No rapel você controla a descida em suas mãos e caso solte da corda você cai direto no solo. Haja emoção. Após os três dias de curso, confesso que fiquei apaixonado pelo esporte. Mas logo voltou a chover e era hora então de voltar para a oeste tailandês, desse vez para a infame festa da lua cheia em Koh Phangan.
Todo mês, milhares de turistas visitam a ilha para a festa, em sua maioria adolescentes britânicos buscando um pouco de diversão para a monótona vida na Inglaterra. Danilo estava por lá também e nós então aproveitamos para conhecer um pouco do lugar. A ilha tem diversas atrações além da festa: é possível ver elefantes e crocodilos, visitar vilas de pescadores, comer frutos do mar à vontade por dez reais e por aí vai. Um dos lucros que os nativos tem é alugar motos para estrangeiros inexperientes e assim que eles tem algum acidente, receber dinheiro para arrumar a moto. Eu presenciei pessoalmente uma britânica destruir sua moto e ter que pagar mil dólares de reparos. Há diversas festas antes da principal, algumas delas em casas com piscinas e outras em bares. O povo enlouquece por lá. Há muitos brasileiros de Florianópolis e região que vão só pra curtir o evento e jogar futebol na praia. Na noite de lua cheia, todos compram baldinhos com whisky barato e energético e enchem a cara até não poder mais. Na praia, shows com bastões de fogo atraem a atenção de todos. Eu pessoamente não curti o evento e se você não está interessado em bebedeira e gente caindo por toda parte, visite Koh Phangan na lua minguante ou na lua nova.
Tailândia tem outros fatos interessantes: nós brasileiros, por um acordo bilateral com o governo tailandês, temos visto de 3 meses. O país é conhecido pelo número de transsexuais que vivem por lá. Conversando com um deles me surpreendi: me disse que desde os 2 anos de idade já sabia que era transsexual: auspicioso. Outro fato interessante é a luta Muay Thai que pode ser vista por todo o país e que se tornou igualmente popular, talvez até mais, aqui no Brasil. A higiene também é bem estimada por lá: em diversos supermercados, lojas e nos ônibus você tem que tirar os sapatos antes de entrar. Tailândia é um destino exótico e até fácil de viajar, mas todo cuidado é pouco. Tem ilhas e praias que é melhor você não ir com a sua família e tem outras que é melhor você nem ir hehe. Mas fica a critério de cada um. Depois da festa da lua cheia, eu senti que era hora de conhecer um pouco mais do Camboja e foi pra lá que eu fui. Conto na próxima.
Mister Luram Toccacelli
Enfaixados
Enfaixados
Pirofagia
Pirofagia
Aventura no Barco Noturno
Aventura no Barco Noturno
Koh Phangan
Koh Phangan
Krabi
Krabi
Danilo animado para a Full Moon Party
Danilo animado para a Full Moon Party
Krabi
Krabi
Happy Shakes
Happy Shakes
Um Gato
Um Gato
Santa Rola
Santa Rola
Naja
Naja
Sleep Area
Sleep Area
Seleção de filmes temáticos em Koh Phangan
Seleção de filmes temáticos em Koh Phangan
Baldinhos com Whisky
Baldinhos com Whisky e energético barato
Scorpion
Scorpion
Amy, californiana em Bangkok
Amy, californiana em Bangkok
Comendo um escorpião
Comendo um escorpião
Tudo é rosa por lá
Tudo é rosa por lá
Gay Cut
Gay Cut
Templos
Templos
Profundo
Profundo
Yakult meio litro. Finalmente.
Yakult meio litro. Finalmente.
Bangkok
Bangkok
Templo em Chiang Mai
Templo em Chiang Mai

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Religiosidade
Religiosidade
Pai
Pai
Escorrega natural
Escorrega natural
Danilo em Pai
Danilo em Pai
Correndo da foto
Correndo da foto
Noemy em Bebop Bar, Pai.
Noemy em Bebop Bar, Pai.
Rice Paddles
Rice Paddles
Cachu em Pai
Cachu em Pai
Visual
Visual
Danilo tocando Ukulele
Danilo tocando Ukulele

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Enfaixada
Enfaixada
Chuck Norris
Chuck Norris
Fogo
Fogo
Krabi
Krabi. Ton Sai e Rai Leh
Krabi
Krabi
Escalada
Escalada
Spider Man
Spider Man
Início da Luta
Início da Luta
Muay Thai
Muay Thai
Em Vós
 
Uma chuva, chuva fina vai caindo
Sobre as folhas, sobre as folhas desta mata
E é justa, justamente em seu caminho
Que eu encontrei, que eu encontrei essa cascata
 
Água luz-cristal vai me banhando
Sol agora vem forte dourado
Eu paro surdo mudo meditando
No som deste silêncio ritmado
 
Morre tudo o tempo voa num segundo
O que será de mim quando o eu não for mais nada
Não é a vida a cascata deste mundo
O movimento desta terra semeada?
 
Quem será, quem vai poder te descobrir
O mistério sério que sereia a nós?
Quem chegou à vida já não mais precisa ir
Tudo nasce, cresce, morre em vós!
Mister Luram Toccacelli
Pai, Tailândia.